O Médico de Família e Comunidade vincula-se as pessoas independentemente da idade, gênero ou problema de saúde. Esse compromisso não se restringe a existência de uma doença, assim como não termina com a cura, pois mesmo pessoas hígidas estão sob responsabilidade do médico de família e comunidade. Mesmo quando há necessidade de que a pessoa consulte com outros especialistas, mas isso também não encerra o compromisso do médico de família e comunidade, que permanece como coordenador de cuidados.
O contexto onde se insere a pessoa é determinante e deve ser buscado invariavelmente pelos médicos de família e comunidade. O fato de atuar mais próximo do indivíduo e de suas famílias o permite compreender melhor a relação entre esse contexto e o adoecimento e a não fazer uma avaliação restrita da situação que se apresenta.
Os encontros entre a pessoa e o Médico de Família e Comunidade são frequentes e cada um desses encontros deve ser entendido como uma oportunidade para a prevenção de doenças e para a educação em saúde.
Os Médicos de Família e Comunidade identificam e caracterizam a população sob sua responsabilidade, indo além dos cuidados à saúde individual dos componentes desse grupo populacional. O que implica no fato de que ele torna-se responsável pelas pessoas independentemente de buscarem seus cuidados ou não.
A atuação do Médico de Família e Comunidade é parte integrante de uma rede de serviços e ações voltadas à comunidade, seja essa rede composta por serviços formais ou não, restritos ou não à esfera governamental e integrados ou não. Cabe ao profissional articular e coordenar essa rede em prol das pessoas sob sua responsabilidade.
O Médico de Família e Comunidade é um gestor de recursos e deve ter a clareza de que lida sempre com recursos finitos e que devem ser utilizados de forma efetiva e com equidade.
Considera-se que os serviços de atenção primária de qualidade devam ser resolutivos em pelo menos 85% dos problemas de saúde da população. O médico que trabalha em um serviço de atenção primária, além de não restringir seu campo de conhecimentos por gênero, faixa etária, sistema ou nosologia, deve estar habituado a lidar com as incertezas inerentes a todo tipo de manifestações atípicas de condições conhecidas, sintomatologia para qual não há descrição científica e quadro clínicos oligossintomáticos e insidiosos. Soma-se a isso a necessidade de que esse médico tenha grande capacidade de gerir recursos adequadamente de forma a garantir a equidade na prestação de cuidados;
"Se tiver um médico de família que coordene os seus cuidados de saúde e o que o ajude a decidir quando e de que tipo de cuidados especializados necessita, protegerá a sua saúde, a da sua família e também o seu dinheiro"
Juan Gérvas; Mercedes Pérez Fernandez; 2011.
Thiago Luccas Correa dos Santos Gomes - CRM 116.731
Especialista em Medicina de Família e Comunidade pela Associação Médica Brasileira - AMB e Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade - SBMFC com Residência em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal de São Carlos
- UFSCar.
Docente do Curso de Medicina da Universidade de Marília - UNIMAR - Disciplina Medicina Preventiva e Social e Medicina de Urgência
Experiência em Medicina Tradicional Chinesa - Acupuntura pela AMBA - Associação Médica Brasileira de Acupuntura.
Maiores informações:
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
AMB - Associação Médica Brasileira
GT Comunicação e Saúde da SBMFC